Dra Jaqueline Neves

Dor na relação sexual não é normal: entenda as causas da dispareunia e quando procurar ajuda

Dor na relação sexual não é normal e nunca deve ser encarada como algo que a mulher precisa suportar em silêncio. 

Sentir desconforto, ardor ou dor durante o sexo pode impactar profundamente a autoestima, o relacionamento e a qualidade de vida. Além disso, também é um sinal claro de que algo no corpo ou no emocional merece atenção.

Apesar de ainda ser um tema cercado de tabus, a dor durante a relação sexual tem nome, causas bem definidas e tratamento na maioria dos casos.

O termo médico usado para essa condição é dispareunia, e entendê-lo é o primeiro passo para buscar ajuda sem culpa ou medo.


Dor na relação: por que isso acontece e porque não deve ser ignorada

Dor na relação pode surgir em diferentes momentos: no início da penetração, durante o ato sexual ou até mesmo após a relação. 

Além disso, algumas mulheres descrevem como ardor, outras como pontadas profundas, pressão ou sensação de que algo está “machucando por dentro”.

Mas o ponto central é simples: sexo não deve doer. Quando há dor recorrente, o corpo está sinalizando que algo não está em equilíbrio.

Portanto, ignorar esses sinais pode levar à piora dos sintomas, ao afastamento da intimidade e até ao desenvolvimento de ansiedade ou aversão ao sexo.

A dispareunia não é uma condição rara, pois muitas mulheres convivem com ela por anos sem procurar ajuda, acreditando que é “normal”, que faz parte da idade ou que o problema está apenas na lubrificação. 

Mas na prática, as causas são muito mais amplas e precisam de avaliação individualizada.


Principais causas da dispareunia

A dor na relação sexual pode ter origem física, hormonal, inflamatória ou emocional. Em muitos casos, mais de um fator está envolvido ao mesmo tempo.

Entre as causas mais comuns, destacam-se, por exemplo:

  • Alterações hormonais, como queda do estrogênio;
  • Infecções vaginais ou urinárias recorrentes;
  • Tensão ou espasmo da musculatura do assoalho pélvico;
  • Cicatrizes de cirurgias ginecológicas ou parto;
  • Falta de lubrificação adequada;
  • Doenças inflamatórias pélvicas,
  • Endometriose.


A endometriose merece atenção especial, pois é uma das principais causas de dor profunda durante a relação sexual. 

Nessa condição, o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir ligamentos, ovários e até o intestino, provocando dor intensa, especialmente durante a penetração profunda.

Quando a dor é persistente, progressiva ou associada a cólicas fortes, alterações intestinais ou dificuldade para engravidar, é fundamental buscar uma especialista em endometriose para investigação adequada.


Quando a dor está relacionada ao emocional

Nem sempre a dor na relação tem uma causa exclusivamente física. Afinal, experiências traumáticas, medo da dor, ansiedade, estresse crônico e conflitos no relacionamento também podem contribuir para o problema.

Quando o corpo antecipa a dor, a musculatura vaginal tende a se contrair de forma involuntária, dificultando a penetração e intensificando o desconforto. Então, esse ciclo de dor, tensão e medo pode se repetir, mesmo quando a causa inicial já foi tratada.

Por isso, a abordagem ideal da dispareunia considera o corpo como um todo, respeitando também o aspecto emocional e a história de vida da paciente.


Sinais de alerta que indicam a hora de procurar ajuda

Alguns sinais não devem ser ignorados e indicam a necessidade de avaliação ginecológica especializada. Por exemplo:

  • Dor frequente ou constante durante a relação sexual;
  • Dor profunda, especialmente em determinadas posições;
  • Ardor intenso ou sensação de queimação;
  • Sangramento após a relação;
  • Dor associada a cólicas menstruais fortes,
  • Redução do desejo sexual por medo da dor.


Portanto, quanto mais cedo a investigação começa, maiores são as chances de alívio dos sintomas e de recuperação da vida sexual de forma saudável.


Como é o diagnóstico da dispareunia

O diagnóstico da dispareunia começa com uma escuta atenta, pois é essencial entender quando a dor surgiu, como ela se manifesta e quais fatores pioram ou aliviam os sintomas.

A avaliação pode incluir exame ginecológico, exames de imagem, testes hormonais e investigação direcionada para condições como a endometriose quando necessário. 

Afinal, cada mulher é única e o plano diagnóstico deve respeitar suas queixas, limites e objetivos.


Opções de tratamento: há solução para a dor na relação?

A boa notícia é que, na maioria dos casos, a dor na relação tem tratamento. As opções variam de acordo com a causa identificada e podem incluir, por exemplo:

  • Ajustes hormonais e uso de lubrificantes adequados;
  • Tratamento de infecções ou inflamações;
  • Fisioterapia do assoalho pélvico;
  • Abordagem multidisciplinar com apoio psicológico,
  • Tratamento clínico ou cirúrgico da endometriose, quando indicado.


O mais importante é entender que não existe uma solução única. Afinal, o tratamento deve ser personalizado e respeitar o ritmo de cada mulher.


Falar sobre dor na relação também é cuidar de si

Conviver com dor na relação não é sinal de fraqueza, exagero ou falta de desejo. É um pedido legítimo do corpo por cuidado, atenção e acolhimento. 

Romper o silêncio é um passo essencial para recuperar não apenas o prazer, mas também a confiança no próprio corpo.

Portanto, buscar uma ginecologista que escute, investigue e trate a dor de forma individualizada faz toda a diferença nesse processo.

Como médica ginecologista e obstetra, vejo diariamente o impacto que a dor na relação sexual pode ter na vida de uma mulher. Acredito que informação, acolhimento e um olhar cuidadoso são fundamentais para transformar essa realidade.

Se você convive com dor, saiba que há caminhos possíveis e seguros. Por isso, agendar uma consulta é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e construir um plano de cuidado adequado à sua história e às suas necessidades.

Sou a Dra. Jaqueline Neves, médica ginecologista e obstetra e estou aqui para te orientar com atenção, respeito e clareza. 

Será um prazer caminhar ao seu lado nesse processo, te ajudando a resgatar bem-estar, segurança e qualidade de vida. Vamos juntas transformar dor em conhecimento e cuidado consciente. Clique aqui e agende uma consulta comigo agora mesmo!

Sobre mim - Dra Jaqueline Neves
Dra Jaqueline Neves

Dra. Jaqueline Neves é médica ginecologista e obstetra, especialista em saúde feminina e fertilidade. Atua no diagnóstico e tratamento de doenças que afetam a saúde reprodutiva em todas as fases da vida. Com um atendimento humanizado e individualizado, orienta mulheres que desejam entender melhor seu corpo e se preparam para uma futura maternidade. Para mais informações ou agendamentos, entre em contato pelo telefone (11) 98232-0080.

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